Cosmo CookBook

É com entusiasmo que anunciamos o projeto vencedor da 2ª Fase da época de 2025/2026 da MOAGEM: Programa de Apoio à Investigação e Criação, uma iniciativa promovida pela Estufa em parceria com a Plataforma 285.

A MOAGEM propõe a realização de residências artísticas com bolsa financeira, criando tempo, condições e contexto para o desenvolvimento de investigação artística. A esta edição concorreram mais de 60 projetos, evidenciando a relevância e o alcance da iniciativa.

O projeto selecionado, foi: Cosmo Cookbook, de Isabella Ogeda, em colaboração com a Dra. Victoria Milanez Fernandes.

Um projeto de pesquisa-criação entre arte e geociências

Cosmo Cookbook é um projeto artístico-científico interdisciplinar que investiga processos hídricos e geológicos como formas de memória planetária. Através da tradução de protocolos científicos em linguagem visual, o projeto propõe novas formas de compreender o tempo profundo e a transformação da paisagem.

Desenvolvido em colaboração com a geocientista Victoria Milanez Fernandes, o projeto parte da extração de berílio-10 a partir de amostras de quartzo — método científico utilizado para estudar a evolução das paisagens e os ritmos de erosão ao longo do tempo geológico.


Relação com o território: Torres Vedras

A residência em Torres Vedras inscreve o projeto num território marcado por:

  • Sistemas hídricos de pequena e média escala;

  • Paisagens agrícolas;

  • Formações sedimentares;

  • Processos contínuos de erosão e deposição.

Mais do que representar diretamente o território, Cosmo Cookbook propõe que o contexto local funcione como campo de influência. Ritmos ambientais, observações pontuais e condições atmosféricas infiltram-se no trabalho de estúdio, tensionando o arquivo científico previamente produzido.

Esta abordagem permite articular:

  • Escalas planetárias e locais;

  • Tempo profundo e experiência situada;

  • Investigação científica e prática artística.


Um projeto entre escalas

Ao operar entre arte e ciência, Cosmo Cookbook afirma-se como um espaço de tradução e imaginação crítica, onde processos geológicos se tornam linguagem visual e onde a investigação artística se posiciona como ferramenta sensível para compreender as transformações do planeta.

A MOAGEM acolhe, assim, um projeto que expande as fronteiras da prática artística contemporânea, reforçando o compromisso com a investigação, a experimentação e o pensamento ecológico situado.